segunda-feira, 27 de abril de 2009

Exército de desempregados já tem mais de 2 milhões de pessoas

Na sexta-feira, o IBGE divulgou novos números do desemprego, relativos ao comportamento do mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do país no mês de março. A fotografia mostra uma situação em rápido processo de deterioração: só nestas seis áreas já existem 2,08 milhões de desempregados. É a maior marca em 18 meses.

O exército de desempregados voltou a níveis de setembro de 2007 e já é hoje praticamente igual ao que existia no país no início da gestão Lula, quando o número de pessoas sem ocupação somava 2,13 milhões. Esta faixa representa uma espécie de “barreira simbólica” do desemprego: o atual governo passou meses alardeando que o país havia deixado tal patamar para trás.

Desde o início da crise econômica, o contingente de desempregados passou a contar com mais 310 mil pessoas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. Isso equivale a uma expansão de 17% no período. Um terço dos desocupados vive em domicílios com renda per capita de até um quarto de salário mínimo, ou menos de R$ 120. Ou seja, o desemprego atinge justamente a camada da população que mais hipoteca apoio ao presidente Lula.

Em termos percentuais, 9% da população economicamente ativa (PEA) está sem trabalho. O índice representa elevação expressiva – de 0,5 ponto percentual – na comparação com fevereiro último. Mais grave, março é, tradicionalmente, mês em que o comportamento das taxas se inverte: nos últimos cinco anos, verificou-se estabilidade ou queda no desemprego, após as costumeiras altas de início de ano.

O atual comportamento do mercado de trabalho sugere que o governo Lula não está conseguindo combater a principal chaga da recessão: a falta de emprego. O mercado de trabalho não está dando conta de absorver os novos ingressantes à procura de ocupação. Em março, enquanto a PEA aumentou 151 mil em relação a fevereiro, o número de ocupados cresceu apenas 9 mil.

A cada ano, estima-se que cerca de 2 milhões de jovens desembarquem no mercado. A situação com que se deparam hoje é de desalento. Na faixa etária de 16 a 24 anos, a taxa de desemprego atingiu 21,1% em março. É o maior percentual desde agosto de 2007 e representa aumento de 11,6% em comparação com fevereiro último.

A taxa de desemprego global mascara algumas nuances ainda mais dramáticas, tanto em termos regionais quanto de sexo. Entre as mulheres o índice é ainda maior: 11,1%. Mais que isso, em todas as seis regiões metropolitanas pesquisadas (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo) a taxa feminina é superior à masculina.

Quanto ao comportamento regional, o desemprego apresenta-se com mais força no Nordeste. Salvador e Recife têm as maiores taxas: 11,9% e 10,4%, respectivamente. No outro extremo, estão Porto Alegre e Belo Horizonte, com 6,4% e 6,6% de desemprego.

A indústria concentrou os piores resultados entre os grupos de atividade. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego do setor praticamente dobrou desde outubro do ano passado, mês que marca o início dos efeitos mais drásticos da crise sobre a atividade das fábricas. Em seis meses, o índice saltou de 3,1% para 6,1% e encontra-se hoje no maior patamar apurado pelo IBGE desde julho de 2003.

Diante de tal quadro e sem que se vislumbrem movimentos consistentes do governo federal para estancar o desemprego, projeta-se aumento considerável na taxa média de desocupaçao prevista para este ano. As estimativas variam de 8,9% até 9,3%. Isso pode representar uma elevação de até 17% na comparação com o ano passado, quando a taxa média fechou em 7,9%. Até agora, Lula e sua equipe estão apenas assistindo a caravana passar.