segunda-feira, 25 de maio de 2009

A retomada lenta, gradual e restrita do emprego

O desemprego parou de subir. Em tempos de crise como o atual, já é boa notícia. Mas ainda parece distante o dia em que voltaremos a comemorar a retomada consistente da geração de novos postos. O que ocorreu até agora é apenas pálida sombra do comportamento histórico do mercado de trabalho brasileiro. Daí sugere-se não comprar pelo valor de face o otimismo governista nesta área.

O sinal mais forte de que a geração de emprego manter-se-á fraca neste ano vem da indústria. Na crise, o segmento já pôs mais de 492 mil pessoas na rua. Em abril, o universo de admitidos apenas empatou com o de demitidos: foram 280 mil para cada lado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

Em números globais, o total dos que perderam emprego no país desde outubro supera o dos que arrumaram uma nova ocupação em 586 mil. Tomando-se a geração de empregos desde 2000, neste quadrimestre foi aberta apenas uma pequena fração da marca: para uma média histórica de 498 mil entre janeiro e abril de cada um dos últimos nove anos, foram criadas 48 mil vagas em 2009, ou seja, uma queda de mais de 90%.

Já o IBGE apontou, em sua mais recente pesquisa mensal de emprego, divulgada na última quinta-feira, que pela primeira vez em sete anos a população economicamente ativa está crescendo em ritmo acima do de pessoas ocupadas. Ou seja, há mais gente entrando em idade de buscar trabalho do que o mercado tem tido capacidade de absorver. Mostra disso é que, entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego é de desesperadores 19%, ante a média geral de 8,9%.

A perspectiva, infelizmente, não é das melhores. E justamente porque o setor industrial é um dos menos animados com a retomada da economia. De tempo em tempo, a Fiesp ouve suas afiliadas para saber a quantas anda o “espírito animal” do empresário para investir. Pelo que se apurou na rodada mais recente, anda bastante combalido.

Neste mês, as 1.204 empresas pesquisadas informaram expectativa de reduzir em mais R$ 5 bilhões os investimentos programados para este ano. Pode parecer pouco à primeira vista, mas a isso se somam mais R$ 20 bilhões que os industriais paulistas já haviam decidido cortar em janeiro.

Isso significa que um quarto do investimento previsto em dezembro passado, ou seja, já computando os efeitos da crise, já é considerado frustrado pelo empresariado a esta altura do ano. A estes valores pode-se somar os R$ 10,5 bilhões que, na semana passada, a Vale informou ter cortado; com eles, mais de um terço dos investimentos previstos pela indústria para 2009 já foi para o brejo. A lista de cancelamentos alcança, ainda, gigantes como Usiminas, Dow Química, Suzano e Gerdau.

O próprio governo já admite que será o investimento público que irá sustentar o PIB neste ano – isso, claro, se ele for sustentável, no que o consenso de mercado medido pelo Banco Central por meio da pesquisa semanal Focus está longe de crer. (Nesta segunda-feira, a projeção voltou a cair: prevê-se agora retração de 0,53% para a economia brasileira neste ano.)

Segundo a edição de O Estado de S.Paulo de sexta-feira, 70% do comportamento do PIB virá do setor público. Deste, a parcela mais relevante caberá à Petrobras: uns 40% do total – só no primeiro trimestre R$ 14,4 bilhões foram aplicados pela empresa. Mais um motivo para que a oposição mantenha olho vivo sobre a estatal na CPI. Afinal, o governismo sempre busca um pretexto para acelerar os gastos, muitas vezes sem preservar os princípios da moralidade que devem reger os contratos da administração pública.