segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Bingo! Lula de mãos dadas com a contravenção

A gestão Lula quer legalizar os jogos de azar no país. Tudo indica que se trata da quitação de uma dívida do PT com um aliado de históricas ligações com o partido, algo celebrizado pelas imagens de Waldomiro Diniz, sub do então chefe da Casa Civil José Dirceu, negociando pagamento de propina com um contraventor carioca. O jogo é um cancro e tudo deve ser feito para barrar esta que pode tornar-se mais uma herança maldita lulista.

Desde 2004 a exploração de todos os tipos de jogos, como bingos, caça-níqueis, videopôquer etc, está proibida no país. No início daquele ano, o governo editou uma medida provisória com este fim. Mesmo assim, não são raras as notícias de apreensão de máquinas de jogo pela polícia em todos os cantos do país. Com a legalização, explodiria a jogatina.

É importante lembrar que, já no início do primeiro mandato, Lula esteve perto de legalizar o jogo no país. A mensagem encaminhada pelo presidente ao Congresso em 2004 continha esta previsão, que só não prosperou porque, logo depois, o vídeo com as imagens de Waldomiro veio a público. Evitar o constrangimento político foi a razão da edição daquela MP naquele momento; a proibição jamais significou uma convicção petista.

Os defensores da jogatina argumentam que bingos e assemelhados geram muitos empregos. Os cálculos variam de 120 mil a 320 mil postos de trabalho. O argumento é falacioso. O dinheiro que sai das bolsas de senhoras aposentadas para alimentar as perversas maquininhas tem outra destinação se não lhes é permitido torrá-lo em apostas. Quem não gasta seus reais nos jogos os aproveita, por exemplo, nos shoppings centers, nos cinemas, em livrarias.

Jogos de azar são perniciosos para a sociedade. Ninguém deve ter dúvida disso. Os efeitos destruidores na vida financeira de famílias são mais que conhecidos, a ponto de existirem hoje grupos de JA, os Jogadores Anônimos, que se esforçam para livrar-se do vício. São dez grupos em todo o país. Na sua edição de domingo, a Folha de S.Paulo relatou o drama de pessoas que entraram em desespero quando souberam que a tentação dos jogos pode reabrir suas portas na esquina das suas ruas a partir da aprovação do projeto no Congresso.

“O jogo patológico é uma doença reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desde 1992. Quem sofre do mal não resiste à tentação de jogar. E, quando está jogando, não consegue parar, mesmo perdendo muito”, informa o jornal. Quem tenha lido “O Jogador”, de Dostoievski, saberá do que se trata. Pior são os que viveram isso na pele.

A proposta de legalização dos jogos passou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na semana passada. Ela também pode desembocar na reabertura dos cassinos, vetados há mais de 60 anos no país. Até agora apenas o PSDB manifestou restrição total à proposta e jogou-se na luta para derrubá-la. Ainda não se viu nada parecido no campo governista, e provavelmente não se verá, já que são antigas e profundas as ligações do petismo com a jogatina.

Além do episódio com Waldomiro, a lista inclui o apoio do jogo à eleição de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul, e os laços do grupo de Ribeirão Preto, que participou da gestão de Antonio Palocci naquele município, com a contravenção.

Na justificativa para aprovar o jogo, o relator da proposta, deputado Régis de Oliveira, do PSC paulista, diz que a legalização trará mais dinheiro para os cofres do fisco e financiará diretamente investimentos em saúde, cultura, esporte e segurança pública. É dinheiro sujo. Não há contrapartida que atenue a porteira aberta (mais uma) para a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, da prostituição, da pirataria e de toda uma lista de contravenções.