quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dilma e Lula, ho! A caravana da hipocrisia

Em 1993 Luiz Inácio Lula da Silva percorreu o país para se fazer mais conhecido e tentar ser eleito presidente do Brasil. Era a “Caravana da Cidadania”, feita a bordo de ônibus e paga com o dinheiro do PT. Dezesseis anos depois, Lula, já conhecidíssimo até internacionalmente, faz o mesmo, desta vez para tentar eleger o próximo presidente do Brasil. As viagens agora são a bordo do Aerolula e pagas com o dinheiro do contribuinte. É a caravana da hipocrisia.

Lula não quer mais saber de governo, cansou da pantomima administrativa. Faz, agora às escâncaras, o que sempre fez desde o primeiro dia em que resolveu tentar eleger-se presidente do Brasil: campanha política. O palanque é sua casa.

O Globo fez as contas: em 2009, o presidente passou 136 dias viajando. É quase metade do ano – 46% na conta exata do jornal – longe da rotina de trabalho. (A extensão do período lembra outra, cara aos contribuintes: os dias trabalhados para pagar impostos no país, que neste ano chegaram a 147.)

Em abril, a Folha de S.Paulo havia feito outro levantamento para ver o quanto o presidente gosta de passear pelo exterior. Até então, 15% do seu mandato havia transcorrido em viagens internacionais, um recorde absoluto. Há quem diga que o pior das viagens de Lula é que ele volta...

Quando o governo petista parecia ter atingido todos os recordes imagináveis em matéria de desfaçatez e afronta ao interesse público, eis que se inicia mais uma investida: a da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que o dia 6 de julho de 2010 marca o início do período permitido para campanha política com vistas às eleições de outubro do ano que vem. Mas quem é o TSE para constranger o governismo?

Dilma e Lula não saem da estrada. Tudo é pretexto para um comício, uma photo-op (como aquela em que a dupla posa de pescadores às margens de um açude), um programa de auditório para embalar as massas. Ministra e presidente lembram personagens de um seriado pop de muito sucesso nos anos 80, com as aventuras protagonizadas por Kadu Moliterno e André di Biasi: Armação Ilimitada. Dilma e Lula, ho!

Como na semana passada no interior nordestino. Lá foram Dilma e Lula “vistoriar” as obras de transposição do rio São Francisco. Que obras? Neste ano, dos R$ 1,68 bilhão previstos para o empreendimento, o governo federal só investiu 4%, o que dá pouco mais de R$ 67 milhões. Armação Ilimitada.

No ritmo atual, nada garante que aquilo não se torne um elefante branco inacabado. Mas para Dilma e Lula não importa: a transposição que interessa é a de votos. Água? Só nos copos de uísque que regaram as noites de viola que embalaram o passeio da comitiva por Minas, Bahia, Pernambuco e Ceará, tudo com muito conforto e regalias, e que, segundo a contabilidade oficial, custou R$ 400 mil. Um escárnio, que a oposição não engole.

Ontem, o PSDB encaminhou pedido de informações à Casa Civil de Lula. Quer saber quanto, de fato, custou a turnê, servida por nove cozinheiros e 20 garçons de restaurante de grife, além da construção de heliporto, sala de imprensa com 14 laptops e transporte em avião oficial para equipes de vários órgãos de imprensa de todo o mundo. Para recebê-los no semi-árido, tapete vermelho estendido sobre chão batido.

O ritmo de presidente e candidata é incessante. Nesta semana, a caravana da hipocrisia já passou por São Paulo – com direito a pontapé inicial da ministra em pré-inauguração de estádio de futebol – e, hoje e amanhã, desenrola-se em Minas Gerais. Dilma e Lula, ho! Prossegue a armação ilimitada.