quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

As mentiras que os petistas contam (2/4)

A pior atitude que a oposição pode ter diante do governo Lula é o temor do debate. E esta é justamente a estratégia que o PT persegue: acuar, com sua avalanche de mentiras, a crítica (qualquer crítica) à sua medíocre gestão. A realidade é que o país vive uma farsa, que só prospera com a força que prospera porque quase nunca é frontalmente contestada. Já passa da hora de enfrentar isso e não deixar pedra sobre pedra: nosso PIB é uma piada, o PAC não para em pé, a “modernização” trazida por dona Dilma nos deixou no meio de um apagão.

Na segunda-feira, tratamos aqui das mentiras em relação ao governo tucano que o programa eleitoral do PT levou ao ar na semana passada. Nossa intenção, como já foi dito, não é ficar mirando o passado, como prefere o petismo. O que interessa é avançar rumo a um futuro realmente promissor, muito diferente da empulhação que nos aguarda se o país mantiver-se nas mãos de gente como dona Dilma e seus aloprados.

Para construir este novo futuro, é preciso, antes, examinar o presente. E, neste mergulho, o retrato que surge é muito, mas muito distinto do que apregoa a massacrante propaganda oficial e completamente diferente do que o PT veiculou em horário nobre há uma semana. Comecemos pelo mais representativo dos números que medem a saúde de uma economia e, consequentemente, o bem-estar da sua população: o PIB.

Este ano, o país deverá ter crescimento negativo. A última vez que isso ocorreu foi em 1992, em meio à débâcle do governo do hoje lulista Fernando Collor de Mello. Mas não é apenas o resultado pontual deste ano que nos coloca mal na foto: o histórico recente é ruim de doer. De 2003 a 2008, o país cresceu 27,9%, segundo o IBGE. Isso significa que, entre 18 países da América Latina, só conseguimos nos sair melhor do que quatro. Isso mesmo: o Brasil de Lula é apenas o 14º que mais cresceu no continente nos últimos seis anos!

Comparemos o desempenho da nossa economia sob o petismo com o de outros países: a Argentina, mesmo com todos os seus problemas e retrocessos, cresceu 63% desde 2003; o Uruguai, 52%; o Peru, 49%. O Brasil só superou Guatemala, Nicarágua, El Salvador e México, nesta ordem. Se a comparação for estendida ao resto do mundo, o país despenca ainda mais no ranking. Será este o país “vencedor” do qual o PT se vangloria?

No seu programa-panfleto, os petistas disseram que seus pontos fortes são três: o PAC, o pré-sal e o “Minha Casa, Minha Vida”. Em todos há um traço comum: são vento empacotado e vendido como se ouro fossem. Entre as palavras e a realidade, infelizmente, vai longa distância. Do pré-sal nem dá para falar, já que a primeira gota de óleo só vai jorrar lá por meados da próxima década. Por hora, é brisa.

O PAC é a pantomima que se sabe. Daqui a um mês, o programa completa três anos. Espanta pela distância entre o que promete e o que entrega. A propaganda oficial diz que ele envolve investimento de R$ 646 bilhões entre 2007 e 2010. Mas onde está o dinheiro? O gato comeu. Até hoje, o Orçamento da União destinou R$ 63,3 bilhões para as ações do programa, mas apenas R$ 29,8 bilhões foram efetivamente investidos. Ou seja, preto no branco, o PAC federal não passa de 5% do que o blábláblá do PT brada. Por que temer enfrentar isso? É vento.

O que acontece com o “Minha Casa, Minha Vida” é ainda pior, por ludibriar um dos mais sagrados sonhos de todo ser humano, o da casa própria. O governo Lula anunciou a construção de 1 milhão de moradias, com a mágica de não dar prazo para atingir tal objetivo. Mesmo assim, oito meses depois de lançado, só foram contratadas 185 mil unidades, como mostrou a edição de sábado de O Globo.

Mantido o ritmo atual, só lá pela segunda metade do próximo governo as 1 milhão de casas terão deixado de ser papel para virar tijolo, areia e cimento. Mas, sem qualquer pudor, a propaganda petista afirma: “O governo Lula está realizando o sonho da casa própria de 1 milhão de famílias e se preparando para zerar o déficit habitacional no país”. Caramba! O déficit varia de 5,5 milhões a 7 milhões de moradias, de acordo com diferentes critérios, e, na velocidade do “Minha Casa, Minha Vida”, só seria extinto em um par de décadas. É um vendaval de mentiras.

Vejamos, por fim, aquilo de que se vangloria dona Dilma, ou seja, a “modernização do setor elétrico”. O modelo atual, gestado por ela, já nos legou o maior apagão da história e fez com que as redes de transmissão e o parque gerador de energia tivessem, em 2007 e 2008, respectivamente, sua pior expansão em uma década.

Já o oba-oba em torno do Luz para Todos, cantado em prosa e verso como sendo “criado” pelo governo do PT, assombra. Em primeiro lugar, não se criou nada: o atual programa apenas deu sequência ao Luz no Campo, instituído pela gestão tucana para levar eletrificação a áreas rurais do país. Mas o mais espantoso é que não há um único centavo do governo federal no Luz para Todos: 90% de seus recursos vêm das contas de luz pagas por cada um de nós, consumidores brasileiros, e os 10% restantes são custeados pelos governos estaduais. Mais: o programa só cobre a instalação das redes de distribuição; não há verba para suprir despesas de manutenção e operação, como mostra o Instituto Acende Brasil. É uma tempestade de falsidades.

Parece cada vez mais evidente que o PT tenta submeter o país a uma massificante propaganda de viés totalitário. A publicidade oficial não busca mais informar e prestar contas ao cidadão, como exige a Constituição. Os panfletos partidários cuidam de transformar a mentira em coerção. Aos dentes feios do PT, contrapomos a triste realidade, a fim de começarmos a mudá-la já.

As mentiras que os petistas contam (1/4)
As mentiras que os petistas contam (3/4)
As mentiras que os petistas contam (4/4)