segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

As mentiras que os petistas contam (3/4)

É máxima conhecida que uma mentira repetida exaustivamente acaba sendo tomada por verdade. O PT leva tal preceito ao extremo: até quando tem resultados a seu favor, o partido de Dilma Rousseff prefere exagerar. Na sua propaganda, os petistas distorcem a realidade, difamam adversários e amplificam seus feitos. No discurso oficial, a verdade é sempre tratada como algo de menor importância; o que vale é a versão.

Em seu programa eleitoral, o PT alardeia que “o governo Lula criou 12 milhões de empregos com carteira assinada”. Mas o fato é que, segundo o Caged, de janeiro de 2003 a novembro passado foram criados exatos 7.902.588 empregos formais no país. É um bom resultado, mas muito distante do que os petistas levaram à TV.

A mentira, neste caso, talvez seja uma forma de o PT defender-se de não ter cumprido uma de suas principais promessas de campanha em 2002: a criação de 10 milhões de empregos, posteriormente tantas vezes renegada pelo partido. Nem ao final dos dois mandatos de Lula tal meta será atingida.

O fato de o emprego no país ter resistido bem à crise econômica não significa que as condições do mercado de trabalho não tenham sofrido uma brutal deterioração nos últimos anos. Um exemplo claro disso é a quantidade de pessoas que trabalham 40 horas semanais, mas recebem menos de um salário mínimo. Existem hoje no país 3,7 milhões de brasileiros nestas condições, segundo o IBGE. No início da gestão petista eram 1,7 milhão.

A máquina de propaganda petista diz que o Brasil tornou-se um “vencedor no crescimento industrial”, mas as condições do mercado de trabalho novamente contradizem o discurso oficial. Na semana passada, a Fiesp divulgou estudo que mostra que a massa de salários da indústria diminuiu R$ 13 bilhões desde outubro do ano passado. “Na crise, as empresas cortaram horas extras, além de demitirem, mandando embora funcionários de maiores salários”, explicou o responsável pelo levantamento.

Também sustentou-se que o Brasil sob Lula é um “vencedor no crescimento agrícola”. Mais um slogan que balança quando submetido ao cotejo com a realidade. Uma boa medida do bom desempenho da agricultura são os níveis de produtividade das lavouras: no governo petista, a expansão anual média foi de 0,6%, enquanto nos oito anos de administração tucana o avanço médio das safras de grãos no país foi seis vezes maior, segundo a Conab. Em culturas como a da soja, a produtividade é hoje menor que há sete anos.

O PT também mente desbragadamente quando afirma que a ascensão social foi “insignificante” no governo do PSDB. A proporção de pobres na população brasileira caiu de 42% para 33% entre a primeira metade dos anos 90 e o ano 2000. A de indigentes (pessoas em situação de extrema pobreza) passou de 20% para 14% no mesmo período, como mostra o livro “A Era do Real”, que traz um o balanço das realizações da gestão tucana.

Nos anos Lula, apesar de melhoras discretas o Brasil continua sendo apenas 75º melhor país do mundo para se viver, segundo o ranking de desenvolvimento humano da ONU. De acordo com o levantamento, o Brasil ainda permanece entre os dez países mais desiguais do mundo: só estamos à frente de Namíbia, Ilhas Comores, Botsuana, Haiti, Angola, Colômbia, Bolívia, África do Sul e Honduras.

A manipulação também é deslavada quando o PT se refere ao comportamento do salário mínimo no governo passado, sustentando que ele “perdeu valor”. Na gestão tucana, o ganho real foi de 44,3%, já descontada a inflação do período. Quando calculado em termos de cestas básicas, o poder de compra do mínimo dobrou.

O PT falseia, ainda, quando diz que reduziu impostos. É fato que, este ano, pontualmente houve reduções temporárias de alguns tributos, principalmente sobre consumo. Mas até então a carga tributária foi constantemente aumentada na gestão Lula: os brasileiros pagamos 16,7% do PIB em impostos e contribuições federais e 35,8% do PIB quando considerado o que estados e municípios arrecadam.

Como temos mostrado, basta um pouco de esforço e dedicação para implodir, ponto por ponto, as falácias petistas. O exercício sistematizado de pesquisa vai reduzir o mito sob o qual vivemos atualmente a suas dimensões reais. A luz da realidade serve de precioso antiséptico. É bem provável que, ao fim deste processo, fique claro que o tigre que hoje ruge alto é feito de papel.

As mentiras que os petistas contam (1/4)
As mentiras que os petistas contam (2/4)
As mentiras que os petistas contam (4/4)