terça-feira, 8 de dezembro de 2009

No rumo certo da segurança

São Paulo é o estado mais seguro do país para jovens. É o que mostra estudo promovido pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Ministério da Justiça, denominado “Projeto Juventude e Prevenção da Violência”. O levantamento examinou os 266 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Os estados governados pela oposição aparecem com destaque: dentre as 50 cidades com menor índice de “vulnerabilidade juvenil”, 27 são do estado de São Paulo e oito de Minas Gerais. Ou seja, perfazem 70% dos municípios brasileiros mais seguros.

O objetivo da pesquisa foi levantar qual é a real exposição de pessoas entre 12 e 29 anos à violência. Concluiu-se que São Carlos (SP) e São Caetano do Sul (SP) – esta também a cidade de mais alto IDH no país – são os melhores municípios para os jovens viver. Em seguida estão Juiz de Fora (MG), Poços de Caldas (MG), Bento Gonçalves (RS), Divinópolis (MG), Bauru (SP), Jaraguá do Sul (SC) e Petrópolis (RJ). Em todo o Brasil, os mais violentos são Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (BA) e Governador Valadares (MG). Cubatão, cidade paulista mais vulnerável, surge apenas na 213ª posição do ranking.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores criaram um Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, a partir do cruzamento de dados como mortalidade por homicídio, mortalidade por acidentes de trânsito, frequência à escola e emprego, indicadores de pobreza e indicadores de desigualdade. De acordo com a ONG, há uma relação direta entre violência, mercado de trabalho e escolaridade. Além disso, os municípios mais seguros no País investem, em média, R$ 14,4 mil por habitante ao ano. Os mais temerários, apenas R$ 3,7 mil.

Entre as capitais, São Paulo figura em primeiro lugar no ranking de segurança para jovens. É seguida por Brasília, Goiânia, Porto Alegre e Florianópolis. Entre os 266 municípios, a capital paulista fica na 74ª colocação entre os mais seguros. Na outra ponta, Maceió, Porto Velho, Recife e Belém são as mais perigosas para a juventude. Em São Paulo, de acordo com o levantamento, 24% das pessoas já presenciaram alguma história de violência. A média brasileira é de 30% e, em algumas capitais, o índice supera 40%. É relevante notar que nenhuma das cinco capitais mais perigosas do Brasil é administrada pelo PSDB ou pelo DEM.

É inevitável ligar os bons números atingidos por municípios paulistas à administração tucana, que comanda o estado desde 1995. Segurança pública é assunto da alçada estadual e os resultados devem muito às políticas estaduais, que, sempre que são complementados por ações municipais, ganham em efetividade.

Embora, neste ano, São Paulo venha assistindo um repique de violência, decorrência direta da crise econômica, o estado ainda tem a menor taxa de homicídios do País: 11,2 por cem mil habitantes, nível já próximo ao de regiões desenvolvidas. Em 2000, essa taxa era de 33,79, o que representa uma queda histórica de quase 70% em menos de uma década. Tal redução significa que, só nos últimos três anos, 20 mil vidas foram poupadas. Hoje o investimento estadual em segurança beira R$ 13 bilhões, só perdendo para a saúde e para a educação.

Enquanto isso, segurança pública é a área mais mal avaliada do governo Lula, com desaprovação de 56% dos entrevistados, de acordo com pesquisa CNI/Ibope de setembro. A reprovação pode ser consequência de o governo federal investir bem menos do que São Paulo em segurança pública: foram R$ 7,3 bilhões em 2008 e R$ 6,3 bilhões em 2007, cifras sempre menores que 0,25% do PIB, de acordo com a ONG Contas Abertas.