quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A usina de mentiras do Planalto

Está cada vez mais clara a postura do governo diante das eleições presidenciais deste ano. Não interessa discutir o futuro nem alternativas que melhorem a vida dos brasileiros; o que vale é manter o poder, seja a que custo for. A principal arma governista nesta guerra também já está mais que conhecida: a mentira, a mistificação, o terrorismo.

Os exemplos vão saltando aos borbotões e nesta semana produziu-se mais um: a manipulação oficial em torno do ensino técnico no país. Por que transformar algo tão positivo em pólvora eleitoral? Por que jogar com a vida de milhões de jovens na sanha ilimitada pela perpetuação no poder?

O Planalto produziu riquíssimo material em que, até com certo escárnio, afirma que, sob Lula, fez “100 anos em quatro” em relação ao ensino técnico brasileiro. É mais um capítulo do “nunca antes neste país”. É curioso notar que o governo federal só direcionou suas atenções para esta área depois que ela já era, há anos, menina dos olhos dos governos tucanos em São Paulo.

Em 2006, José Serra foi eleito governador do estado com um compromisso ousado, endereçado aos jovens: duplicaria as oportunidades de estudos em faculdades de tecnologia (Fatec) paulistas. E abriria 100 mil novas oportunidades em escolas técnicas (ETEC), que oferecem estudo profissionalizante em cursos de três semestres, com um aumento de quase 150%.

Serra não é homem público que faça política com palavras vãs. Faltando ainda 11 meses para o fim de seu governo, o compromisso assumido em 2006 já está praticamente cumprido: o número de vagas abertas nas ETEC já superou o que fora anunciado quatro anos atrás. Foram abertas 53 novas escolas desde 2007: hoje já são 179. Já as Fatec, que ofertam ensino profissionalizante em cursos de três anos de duração, saltaram de 26 em 2006 para 49 agora.

Expandir a educação técnica é algo positivo, em todos os sentidos. E o principal deles é que este é o ensino que gera emprego. Pesquisas feitas pelo governo paulista mostram que, de cada dez alunos que saem das Fatec, nove já saem empregados. Nas ETEC, a proporção é de oito em cada dez.

A realidade é que o mercado de trabalho ainda precisa de muito mais gente com qualificação assim. Há milhares de vagas de emprego à espera de jovens com este tipo de formação. Por isso, é preciso formá-los o quanto antes e o quanto mais. Isso é cuidar do interesse da nação.

Mas o que o governo do PT faz? Politicagem, da pior espécie. Em suas loas à atual expansão do ensino técnico, difama o governo tucano e diz que isso teria sido “proibido” na gestão Fernando Henrique. Ora é o presidente quem vocaliza o engodo, ora sua candidata-ministra.

Paulo Renato Souza, ministro da Educação entre 1995 e 2002, publicou artigo na edição de ontem de O Estado de S.Paulo para desmascarar a mentira. Primeiro mostra que a expansão do ensino técnico federal sob Lula foi muito menos vigorosa do que nos governos tucanos de São Paulo: 9% versus 58% desde 2003.

Em seguida, demole o argumento da tal “proibição”. Na realidade, a gestão Fernando Henrique criou o Proep, estimulando a instalação de escolas técnicas federais em parceria com estados, ONG e setor produtivo. Até a CUT firmou parceria com o governo tucano. A maior parte dos projetos, financiados com verba do BID, foi para escolas públicas, federais ou estaduais.

Fato é que, por causa do seu DNA, o Proep foi interrompido no primeiro ano do governo Lula, deixando obras inacabadas e projetos inconclusos. Em 2004, inutilizados, US$ 94 milhões destinados à expansão do ensino técnico no país foram devolvidos ao BID.

“Agora, em fim de governo, busca-se recuperar o tempo perdido lançando projetos a toque de caixa, no velho modelo de escolas técnicas que ofereciam ensino médio para os ricos e muito pouco ensino técnico para os pobres”, escreve o ex-ministro. Eis aí, desmascarado, mais um capítulo da enciclopédia petista de mistificaçoes e mentiras.

(E olha que a gente nem falou da usina de manipulações que o governo federal montou em cima do Bolsa Família, como mostra O Globo, em sua manchete de hoje: “Governo faz ameaça eleitoral ao recadastrar Bolsa Família”. O texto informa que uma instrução distribuída pelo Ministério do Desenvolvimento Social a prefeitos adverte que “a validade do benefício estará sujeita a alterações segundo novos critérios que sejam estabelecidos pela nova administração que assumir o Bolsa Família em janeiro de 2011”. Se isso não é terrorismo eleitoral, o que mais pode ser?)