quarta-feira, 28 de abril de 2010

Até o álbum de fotografias da oposição é melhor

Alguém deveria dar um álbum de figurinhas da Copa para dona Dilma. Repare lá na primeira página do mega-sucesso de vendas deste outono: a multinacional que o edita permite a qualquer mortal despontar entre as estrelas do futebol mundial. Qualquer Zé Mané pode ter seu cromo impresso em material adesivo. Até eu! Até ela!

O álbum de figurinhas da Copa do Mundo é a solução para o problema de escassez biográfica da petista de almanaque. Com ele, dona Dilma poderá, enfim, entrar no panteão dos grandes, pelo menos no mundo do futebol em forma de papel autocolante: Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo. E poderá deixar em paz gente como Norma Bengell, cuja trajetória o pessoal da candidata do PT tentou “tomar emprestado”. Fica mais baratinho comprar a figurinha personalizada: o cupom vem junto com o álbum, que custa R$ 3,90.

É constrangedora a dificuldade que a candidata a presidente da República ungida por Lula tem para mostrar a que se presta e quais credenciais tem para exibir aos eleitores brasileiros. Talvez já seja conhecido por todos o mais recente episódio desta saga muito além do jardim às avessas – ao contrário de Chance, o jardineiro, o que Dilma diz passa a ser cada vez mais interpretado como idiotice mesmo e não como sabedoria em estado puro vinda da boca de um néscio. Mas não custa rememorá-lo.

Dias atrás, o site de campanha de dona Dilma postou, como parte de uma espécie de cineminha da vida da candidata, uma foto da atriz Norma Bengell na conhecida Passeata dos 100 mil, ocorrida no Rio. Foi uma maneira sutil de tentar associar, por meio de forçada parecença, a ex-guerrilheira à imagem da artista, que, assim como parte considerável da elite cultural brasileira, esteve na manifestação para protestar democraticamente contra o regime militar em 1968. Dilma não estava lá, ocupada que estava estudando manuais maoístas de guerrilha – a esquerda “casca dura” da qual ela fazia parte era contra manifestações como a passeata, relembra Ruy Castro na Folha de S. Paulo de hoje.

A campanha de Dilma, mais uma vez, tentou produzir falsificação. Não é a primeira, e, dado o desespero que se abate com a descoberta dos defeitos de fabricação da ciborgue-candidata, certamente não será a última. Se Dilma não tem biografia condizente para disputar a presidência, que se invente uma. Se não tem currículo acadêmico, que se forje um mestrado e mesmo um doutorado. Sem habilidade para falar respeitosamente com repórteres? Entrevistas pré-gravadas neles! E por aí vai.

A candidatura da oposição tem biografia de sobra pra mostrar. Dá até para emprestar umas fotografias para a campanha de dona Dilma. Lá se verá José Serra comandando a combativa UNE pró-reformas de base nos anos 60 (não esta gelatina anestesiada com milhões de ervanário público que hoje vaga por aí). Ao lado de líderes progressistas históricos, como Miguel Arraes e Leonel Brizola. Fazendo teatro com José Celso Martinez – até isso, caramba!

Do álbum, também saltarão fotos de José Serra nos seus 13 anos de exílio, ao lado de gente como Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa e Aníbal Pinto. Na volta ao país, nos comícios pela redemocratização do país. Ao lado de Tancredo Neves, já eleito, preparando seu programa de governo. Na equipe que discutia o Plano Real; na cadeira do ministro que criou os genéricos, que permitiram a milhões de brasileiros curar a saúde. Como prefeito da maior cidade do país e como governador do maior estado brasileiro. Acho que Serra não precisa do meu álbum de figurinhas da Copa...

‘Dilma Bengell’ não é um alienígena no script petista. É parte integrante do manual de composição da personagem. Dia sim, dia também, dona Dilma tem de fingir ser o que não é. Mas, até agora, nas poucas semanas em que pudemos vê-la longe das asas do presidente, os brasileiros nos deparamos com alguém que vaga “feito ectoplasma sem conseguir a incorporação adequada”, nas palavras de Dora Kramer a respeito da impagável participação da petista no ‘Brasil Urgente’ de José Luiz Datena.

Será preciso muito mais do que inventar uma biografia falsa para Dilma conseguir vencer – até Lula já se queixou dos “raciocínios sem conclusão” da ciborgue. Em curto-circuito, a candidata terá que passar por um verdadeiro recall, que inclui até sessões de fonoaudiologia para que seus pronunciamentos sejam mais leves, ou, para sermos mais precisos, minimamente compreensíveis.

Pré-programada, agora dona Dilma também precisará falar “cê”, ao invés de dizer “você”, tchê – em mais uma tentativa de mostrar quão mineira ela é, uai. A encruzilhada brasileira parece ser entre, de um lado, um candidato de carne e osso, com toda uma vida pública a mostrar, e, do outro, a figurinha que o PT, no seu aloprado laboratório, inventou para ser candidata – e que o Correio entrega em qualquer lugar do Brasil; é só enviar o cupom preenchido.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Viajando num belo monte de maionese

O governo Lula fechou mais um de seus meganegócios na semana que passou. Levou a leilão a megahidrelétrica de Belo Monte, com seus 11 mil megawatts de problemas. Questionada por todos os lados, a usina foi arrematada com um balde de subsídios públicos, sob variadas formas. Isso significa que ninguém sabe ao certo o quanto esta extravagância custará à sociedade brasileira, mas o petismo parece não se importar com isso: o negócio era fechar negócio.

Uma usina como Belo Monte é estratégica para o futuro do parque gerador nacional. É importante para assegurar o suprimento de energia pelos anos de crescimento econômico que deverão vir adiante. Portanto, um projeto estruturante. Mas isso não significa que se devesse pagar qualquer preço para tê-la. A escolha não é entre fazê-la ou não, mas sobre como fazê-la.

Belo Monte, situada no lado paraense da bacia do rio Xingu, poderá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a chinesa Três Gargantas e a binacional Itaipu. Mas, tal como foi fechado o negócio, Belo Monte é como uma espada sobre nossas cabeças.

Ao longo destes mais de 20 anos de discussões, a extensão da área inundada diminuiu bastante, atenuando os impactos ambientais. Isso é ótimo. Mas mesmo atenuados, tais efeitos danosos persistiram, sem que se saiba ao certo quais dimensões alcançam. E isso é péssimo. Como começar a construir algo tão gigantesco com tantas dúvidas envolvidas?

Este é apenas um aspecto do problema. Antes de a usina ter sido levada a leilão na semana passada, TCU, Ibama e Ministério Público já haviam feito dezenas de ressalvas e apresentado montes de questionamentos sobre o projeto. O governo Lula deu de ombros e manteve o curso de seu cronograma. Para o PT, como se sabe, o negócio era fechar o negócio.

As várias questões obscuras – dimensão dos impactos socioambientais, custos do investimento, participação de fontes públicas de financiamento – poderiam ter sido mais bem resolvidas por meio da participação de especialistas independentes. Mas, não: tudo continua sendo feito entre quatro paredes. O que importa é fechar o negócio.

Havia alternativas que poderiam ter reduzido riscos e até ter incentivado maior competitividade no leilão. Mas, tal como ocorreu, a concorrência acabou restrita a uma disputa pantomímica como aquelas entre Ted Boy Marino e Fantomas em telequetes ensaiados de tardes de domingo. Uma destas alternativas era a que previa a motorização da hidrelétrica em duas etapas; o governo Lula deu de ombros.

Sob Dilma Rousseff e seu modelo, o complicado setor elétrico transformou-se numa colcha de retalhos. A transparência é mínima, num ambiente em que ninguém sabe ao certo quanto se paga pela energia que se consome – isso inclui você, leitor, e a fatura que todo mês a sua concessionária lhe entrega. Neste ambiente algo caótico, cada um dos agentes puxa a sardinha para sua lata, buscando assegurar vantagens. O governo aceita, porque só quer fazer negócio.

Belo Monte, da forma como foi licitada, põe mais um retalho nesta colcha. Alguém sabe quanto ela vai custar? Provavelmente não. Fala-se em R$ 19 bilhões e em até R$ 30 bilhões, sem contar os custos dos linhões de transmissão. Esta é uma questão fundamental para a definição de uma tarifa adequada e justa para o consumidor, mas o governo Lula se importa com isso?

O governo federal estabeleceu um teto para a tarifa que pareceu irrealista aos interessados mais acostumados às lides de geração de energia, mas não assustou ao frigorífico que aceitou correr o risco da empreitada e entrou o negócio. Generosos financiamentos do BNDES e outros bilhões em incentivos fiscais sustentaram a empreitada. A hiperhidrelétrica brasileira está agora nas mãos de um matadouro.

Aos poucos vai se sabendo de outras tantas “ajudinhas”, como a que revela O Globo em sua edição de hoje: na semana passada, o frigorífico vencedor acabara de abocanhar uns milhõezinhos do FGTS. Coincidência? Não custa lembrar: o dinheiro do FGTS é de todos os trabalhadores do país, seu fundo de garantia para o futuro; por que empregá-lo em empresas cuja gestão mostra-se temerária, como mostra o jornal?

Não será surpresa se, quando o calo apertar, a Aneel ou o governo de plantão espetarem alguma conta na fatura dos consumidores, mais uma sopa de letrinhas que ninguém sabe ao certo o que é, mas que servirá para lembrarmos ainda por um longo tempo da viagem na maionese que o governo Lula protagonizou e os custos que isso nos legará. Parece incrível, mas Belo Monte ainda pode nos sair muito mais caro do que podemos imaginar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O bem-sucedido início da revoada tucana

Neste fim de semana, o Datafolha divulgou mais uma pesquisa de intenção de votos para presidente da República. José Serra continua liderando a corrida, com 38%. Ele tem dez pontos percentuais a mais do que a candidata do PT. Tudo considerado, temos que o início da revoada tucana está sendo muito bem-sucedido, embora não faltem “análises” sustentando que as primeiras ações de campanha do ex-governador não lhe renderam nenhum benefício.

Vamos refrescar a memória do leitor. Até meados de março, as apostas mais frequentes entre os “analistas” concentravam-se em quando a candidata do PT ultrapassaria Serra na preferência do eleitorado brasileiro. Era o tal “x”, em que as curvas de um e outro supostamente se cruzariam, em prejuízo do tucano. Isso não apenas não aconteceu até agora, como parece algo cada vez mais distante, embora riscos sempre haja – é do jogo da democracia, que todos respeitamos.

Serra mantém sólida e persistente margem de votos, praticamente inalterada desde o fim de 2009. Para quem só se lançou de fato há dez dias é um feito e tanto. Dona Dilma também teve, sim, uma ascensão considerável, mas precisou de três anos de árdua exposição para tanto. Este é o tempo em que ela esteve à frente do PAC e sua blitzkrieg marqueteira. A martelação diária rendeu à candidata o que já se esperava: os cerca de 30% que representam uma espécie de eleitorado cativo do PT no Brasil de hoje. Fosse Dilma ou Eduardo Suplicy o candidato, o percentual seria o mesmo.

Desde o lançamento do mal executado PAC, em janeiro de 2007, Dilma está em campanha, em flagrante desrespeito à lei. Colada em Lula, fez comícios por todo o Brasil para “inaugurar” editais de licitação, pedras fundamentais e até mesmo portos que ruiriam poucas semanas depois de abertos. Tudo isso com a mal-disfarçada pretensão de levá-la aos tais 30% de votos. Com um detalhe: o petismo previa que isso ocorreria no fim de 2009 e, já em março deste ano, ela ultrapassaria Serra nas pesquisas. Por enquanto, pura ilusão.

Serra não só manteve, como tem ampliado sua vantagem. No fim de fevereiro, de acordo com o mesmo Datafolha, ele tinha 32% das intenções e Dilma, 28%. Estacionada ela, o tucano saltou aos 38% aferidos agora. Quem, então, saiu-se melhor neste início de temporada pré-eleitoral: a sempre-candidata da máquina ou o recém-anunciado nome da oposição?

Na divisão por região, o ex-governador lidera no Norte/Centro-Oeste (39% x 30%), Sudeste (42% x 24%) e Sul (45% x 25%). No Nordeste, Dilma alcança 33% contra 27% do candidato tucano. José Serra também vence em todas as faixas etárias e todos os níveis de escolaridade. Entre as mulheres, a vantagem do tucano é ainda maior: Dilma só tem 22% do voto feminino. Sábias mulheres!

O que pode ter ocorrido para que Serra, nessa altura do campeonato, mantivesse números tão expressivos? Nos últimos meses, enquanto os comícios da dupla Lula e Dilma tornavam-se uma rotina diária e monótona pelo país afora, o candidato tucano praticamente não saía do estado que governava – São Paulo. Para desespero até de alguns aliados, concentrava-se em concluir de forma bem feita a missão que o povo paulista lhe havia atribuído nas eleições de 2006.

Quando, finalmente, se lançou pré-candidato, no último dia 10, Serra pôde deixar o comando do estado com muito a mostrar: as obras do Rodoanel, 110 novas escolas inauguradas, dez novos hospitais incorporados à rede pública estadual, 23 novas faculdades de tecnologia, 100 mil vagas abertas nas escolas técnicas. É isso o que mantém Serra líder nas pesquisas: o que ele fez por São Paulo e poderá fazer pelo Brasil. Tudo isso com finanças saneadas e a capacidade de investimento redobrada, algo raro entre os administradores brasileiros.

Em contrapartida, no comando do PAC, passados três anos Dilma só conseguiu entregar 11% das obras prometidas. Ou seja, se formos julgar o governo Lula apenas por aquilo que foi administrado pela candidata petista, pode-se dizer, com segurança, que foi um fiasco. Os avanços dos últimos anos ocorreram, principalmente, nos quesitos renda, consumo e ascensão social – frutos, em última análise, da estabilidade econômica conquistada pela gestão tucana e consolidada com a manutenção das políticas macroeconômicas.

Atualmente, na área de infraestrutura, a suposta seara de Dilma, estradas estão esburacadas, portos obsoletos, metrôs parados e grandes obras estruturantes, como a Transnordestina e a transposição do rio São Francisco, bastante atrasadas. Os avanços na educação fundamental e na saúde estagnaram. Nem toda propaganda do mundo consegue disfarçar essa realidade; o eleitor não é bobo.

A campanha ainda está apenas começando. Tudo indica que o PT irá utilizar todo tipo de armas para vencer, inclusive as não permitidas pela legislação. É uma guerra suja. Enquanto isso, Serra começou a viajar pelo Brasil levando propostas e esperanças. Foi assim na Bahia, em Alagoas e hoje em Minas. O entusiasmo é visível, diante de uma plataforma que busca construir um futuro melhor para os brasileiros. Do outro lado, nos seus primeiros passos sem Lula, Dilma Rousseff vem alternando ataques violentos à oposição e bizarros tropeços verbais, como já mostrado aqui. Fica cada dia mais claro que o eleitor está convencido de que o Brasil pode e quer mais.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Deu tilt na ciborgue

A candidatura de Dilma Rousseff vem sendo carpida pelo PT há pelo menos dois anos, ou três se considerarmos o nascimento do filho dela, o Programa de Aceleração do Crescimento – infante que apresenta problemas de desenvolvimento motor. Dilma Rousseff foi vendida pela arrogância petista como um verdadeiro Godzilla, aquele dinossauro fortão e bravo da TV. O mundo real, longe das asas do mestre Lula, a está transformando num Godzuck, o sobrinhozinho trapalhão do bicho.

Se este imagem pop não lhe é lá muito particular, ou se o leitor não é fã de histórias em quadrinhos ou desenhos animados daqueles que passavam nos programas infantis matinais, basta assistir este filminho de 38 segundos disponível no Youtube. Depois de vê-lo não vai nem precisar ler o que segue abaixo; as imagens são auto-explicativas, extremamente didáticas, e muito divertidas. Como o pequeno dinossaurinho japonês, Dilma é um verdadeiro desastre. Bastou deixá-la solta no mundo para a ciborgue dar tilt. A vida não está sopa por lá.

Seria enfadonho listar aqui as muitas patacoadas que a candidata do PT conseguiu produzir em menos de 12 dias de campanha. Começou com a mão na cabeça do pastor Garotinho; prosseguiu com a repugnante passagem e a escancarada falsidade de seus atos em Minas; passou pelas trombadas com o clã Gomes no Ceará; e teve na irretocável declaração sobre os exilados “que fugiram da luta” sua cereja do bolo.

Cesar Maia costuma usar uma metáfora meio démodé diante das novas tecnologias digitais, mas muito rica para a compreensão do processo eleitoral: na pré-campanha, grava-se a imagem do candidato no filme fotográfico; na campanha, esta imagem revela-se. Se isso vale – e pode estar certo que vale – o filme de Dilma queimou. A petista vai aos poucos murchando para o tamanho que de fato tem. Um Godzuck – e sem um pingo da graciosidade e simpatia dele.

Os jornais estão coalhados de notícias sobre as dificuldades da candidata. O Estadão as traduz em números: dona Dilma tem problemas para montar palanques em 15 dos 27 estados, onde vive 63% do eleitorado. Em contrapartida, o PSDB de José Serra tem candidatos próprios em 15 estados e “garantia de alianças sem maiores problemas em 24 das unidades da Federação”, completa o jornal.

Rusgas e mais rusgas regionais travam as viagens da candidata, informa a Folha de S.Paulo: “Em quase todos os estados há problemas em sua base que vão de disputas de aliados pela mesma vaga à insatisfação com a possibilidade de a ex-ministra pedir votos para o concorrente local”. “A escolha de viagens e agenda potencializou as dificuldades de uma candidata ‘sem jogo de cintura’ para situações difíceis”, conclui O Globo depois de ouvir seis cientistas políticos sobre os “tropeços” da ciborgue. Cadê a toda poderosa cuja perspectiva de poder seduzia como ouro 18 quilates guardado no pote do fim do arco-íris? Fumaça.

Diante das dificuldades que a dura realidade da vida está a lhes impor, os petistas esbravejam: complô, vilania, má-fé! De quem, caras-pálidas? Basta citar aqui um único texto publicado hoje na imprensa para ver quem está, de fato, agindo agora pautado por má-fé, vilania, complô...

Analisando a memorável frase “eu não fujo quando a situação fica difícil, não tenho medo da luta”, dita por Dilma no sábado, Fernando Rodrigues ocupou-se de ver quem estaria distorcendo as doces, cristalinas e puras palavras da ciborgue. Deu de cara com o exército que infesta a blogosfera, esta praga de gente. Mas, pera lá... “Petistas na internet inundaram blogs e sites de relacionamento interpretando a declaração de Dilma como um ataque velado a José Serra”, descobriu ele. O sociólogo petista Emir Sader foi um deles, informou o Painel da Folha. Bingo.

Dilma disse o que queria dizer. Seu séquito interpretou-a de forma idêntica à que ela agora reputa à “má-fé” e aos “mal-entendidos” de vilões da oposição. Logical conclusion: a candidata petista expressou, de fato, opinião segundo a qual quem se exilou o fez por ser fujão, mesma visão de mundo que tem um tão proeminente quanto caricato servidor das casernas na ditadura militar. Dilma e general Leônidas: tudo a ver.

À reação tão justa quanto indignada dos que lutaram pela reconquista da democracia no país a partir do exílio, sem apelar por explodir cofres, Dilma arreganhou seus dentões pontudos de loba: “Não tentem me atemorizar. Pode vir, pode atacar. Não pensem que, com isso, me atemorizarão, porque não vão”. Quanta humildade! Os amigos do PMDB podiam ressuscitar aquele bambolê para dona Dilma.

Isso é, sem retoques, o que o PT oferece aos brasileiros nestas eleições presidenciais: um tom belicoso (tudo a ver com quem defende a bomba atômica iraniana), a disseminação da cizânia, a divisão permanente do país. E olha que Dilma ainda tem 172 dias pela frente até a eleição de 3 de outubro... Godzilla não assusta mais e o Godzuck não consegue voar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Brasil pode e quer mais

Um ser humano que sonha ver um Brasil sem divisões ou diferenças entre seus habitantes, caminhando solidariamente em direção ao progresso social, econômico e cultural. Um político que se orgulha de cada uma de suas ações em quase 50 anos de vida pública, com intuito de servir, e não ser aclamado. Um economista com lucidez e clareza suficientes para apontar os principais entraves ao desenvolvimento do país e como solucioná-los. Um gestor com conquistas concretas a mostrar em todos os postos onde serviu. Um presidente que irá liderar um processo, e não ser conduzido por eminências pardas, interesses corporativos ou ambições partidárias mesquinhas.

Estas são conclusões inevitáveis quando se ouve, lê ou relê o discurso com o qual José Serra se lançou pré-candidato à presidência da República no sábado passado em Brasília. O caminho, ele admitiu, será árduo. O engajamento nessa luta se dará pelo sonho de ver o Brasil podendo muito mais e não pela ambição por cargos, poder ou eventuais “boquinhas” a serem distribuídas em caso de vitória. A meta é criar melhores oportunidades de vida para todos os brasileiros, independentemente de serem ricos ou pobres, nortistas ou sulistas, brancos ou negros, jogadores de basquete ou enxadristas. O Brasil é de todos os brasileiros.

O Brasil que Serra quer é o mesmo do cidadão que não está pautado em ideologia ou modelos de gestão do Estado, mas pretende uma vida melhor para sua família. A energia de Serra está centrada naquelas pessoas que querem melhor saúde pública, garantia de boa educação para os filhos e aspiração de emprego para os jovens em ambiente de segurança e respeito à lei. Pessoas com valores, amantes das virtudes, que não querem o país dividido. O brasileiro comum, como eu e você, caro leitor.

O exemplo de seu pai, dono de uma banca de frutas no Mercado Municipal de São Paulo, mostrou qual é a origem de Serra e seus valores. “Um homem austero, severo, digno. Carregava caixa de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixa de livros”, disse o ex-governador ao relembrar sua infância, vivida numa casa de quarto e sala numa vila operária do bairro paulistano da Mooca. Serra quer um país onde todos tenham oportunidade de desenvolver seu talento e possam ser justamente valorizados pelos seus esforços. É como se dissesse: “Se eu, que tive uma vida de limitações, consegui, por que outros não conseguirão?” Serra quer fazer com que todos possam. E o Brasil, de fato, pode mais.

Serra e o PSDB não têm medo do passado, não têm conflitos mal-resolvidos com a sua história. Num belo e contundente discurso, o governador Aécio Neves sublinhou as diferenças entre o modo tucano de servir ao Brasil e o interesse petista em assaltar o poder. Aécio colocou as coisas no devido lugar ao lembrar que, sistematicamente, o PT sempre se posicionou contra os principais avanços do país nos últimos 25 anos. Ao mesmo tempo, ele destacou que os tucanos, mesmo quando ainda no MDB e no PMDB, sempre se pautaram pelo interesse maior da nação e, generosa e solidariamente, lutaram pelas conquistas que interessavam a todos os brasileiros.

Não custa lembrar sempre que os petistas foram contra a eleição de Tancredo Neves, contra a Constituição de 1988, contra o governo de transição de Itamar Franco, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outros “contra” medidas que melhoraram o Brasil. Aécio deixou claro que o Brasil não foi descoberto em 1º de janeiro de 2003 e que a roda da História gira desde muito antes. “O que me incomoda é ver o PT tentando vender aos brasileiros a ideia de que o Brasil das virtudes e do desenvolvimento foi construído por eles, quando, em vários momentos cruciais, eles preferiram priorizar o projeto partidário nacional”, resume Aécio em entrevista publicada na edição de hoje de O Estado de S.Paulo.

De volta ao presente, em seu discurso José Serra evitou enumerar os números que tem a apresentar. Desnecessariamente modesto, não citou, por exemplo, o espetacular avanço dos investimentos do governo de São Paulo sob seu comando: de R$ 25 bilhões na gestão passada para R$ 64 bilhões no atual quadriênio. Dinheiro voltado a melhorar a vida de quem vive no estado. Não há nada parecido com isso no governo federal, que mal conseguiu concluir 10% das obras que prometeu entregar até 2010 dentro do tão alardeado quanto vazio PAC conduzido por Dilma Rousseff.

Para o futuro, José Serra mostrou estar ciente do que precisa atacar para fazer o país crescer de maneira muito mais acelerada e consistente do que nos dias atuais, e sem descuidar do meio ambiente. Educação de mais qualidade, saúde ao alcance de todos, segurança para poder viver uma vida mais tranquila e digna. Conseguiu sintetizar os pontos de entrave em alguns poucos segundos: “Não podemos ter uma combinação perversa de falta de infraestrutura, inadequações da política macroeconômica, carga tributária sideral, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos”. Concisão e lucidez.

União, serenidade, valorização das virtudes de um povo e do amor à pátria. É isto o que José Serra tem a oferecer à nação. É este futuro venturoso que nos faz crer que o Brasil pode mais. Pode mais do que o sectarismo com que o PT insiste em dividir o país; pode mais do que as falanges do ódio que não aceitam a democracia representativa e querem impor a sua vontade sobre a vontade popular; pode mais do que a violência que não aceita o estado de direito e afronta o Judiciário; pode mais do que aqueles que sequer compreendem como se construiu a História brasileira, mesmo que, em determinado momento, esta construção só fosse possível estando longe do país. Quanto mais mentiras disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles, porque o Brasil pode e quer mais.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma loba em pele de loba, uai

Dilma Rousseff iniciou nesta semana uma “viagem sentimental” por suas “raízes”, num roteiro tão cuidadosamente estudado pelo marketing quanto o desenho das coroas de flores que deposita em cada monumento que vê pela frente. Chega a ser constrangedora a artificialidade da candidata ciborgue do PT. Mas nem berrar como cordeiro ele consegue: com sua beligerância de sempre, é a velha loba em pele de loba de priscas eras.

Em seu script calculado, dona Dilma encaixa um slogan de efeito por dia em seu repertório midiático. Frases para preencher espaço em páginas de jornal e ganhar alguns segundos em rádios e TV. É a forma de manter-se em evidência e, principalmente, de encobrir sua parca visão acerca de como construir um futuro melhor para o país. Longe, bem longe, dela, o Brasil pode mais.

Ao ser questionada, Dilma não apresenta uma proposta afirmativa sequer; tudo o que sabe fazer é atacar o passado, que, por mais pleonástico que possa parecer, já passou – menos para ela e seu desesperado PT. Talvez ela não saiba, mas o presidente Fernando Henrique Cardoso já disputou duas eleições contra Lula, e ganhou as duas. Dilma vai disputar a presidência da República é com José Serra e, quem sabe, Aécio Neves junto. Daí os pesadelos diários que fazem tremer a loba dentuça.

Dilma Rousseff move-se como um autômato teleguiado, sem ter um pingo do charme que, nos anos 70, emanava da Mulher Biônica do seriado de TV, encarnada pela bela Lindsay Wagner. Ontem, em Minas, a ciborgue dos Pampas esforçou-se por esconder seus “tchê” e substituí-los por “uai” improvisados aprendidos em massivos treinamentos e aprimorados com “consultores” locais. É de empalidecer. Logo, logo Dilma terá de se socorrer destes mesmos consultores para saber em que país vive: Será a Bolívia? A Venezuela? Cuba, talvez?

Se há algo mais revelador da desfaçatez da ação da loba ciborgue é a foto em que ela, ladeada por vários petistas, deposita flores no túmulo do ex-presidente Tancredo Neves em São João del Rei. O mesmo Tancredo que o seu PT não apenas escorraçou como se recusou a apoiar no colégio eleitoral em 1985. O mesmo Tancredo a cujas homenagens pelos 100 anos, que se completariam em 4 de março passado, nem ela nem qualquer dos ministros de Lula compareceu.

O mesmo Tancredo a quem “CUT e PT declaram guerra”, segundo manchete que o Jornal da Tarde estampou em sua edição de 11 de fevereiro de 1985, como relembra Almir Pazzianotto em artigo no Estadão de hoje. “A História é implacável e registra que o PT e a CUT foram responsáveis por 20 anos de atraso, até que o país recuperasse a estabilidade e o desenvolvimento graças ao Plano Real”, escreve o ex-ministro do Trabalho.

Em seu arremedo de fábula bíblica, dona Dilma melhor do que ninguém encarna a loba que tenta passar-se por cordeiro fofinho. Diz ela que bicho dentuço e de presas afiadas são “aqueles que tentarem fingir que não divergiram do governo, que não têm projeto diferente, que não propuseram o fim de políticas de governo”.

Uai, o que fez o PT senão o que agora acusa a candidata ciborgue? Votou contra o Plano Real, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, recusou-se a referendar a Constituição de 1988, não apoiou Tancredo Neves (e, com isso, ajudou Paulo Maluf). Existisse à época, provavelmente teria combatido a Inconfidência Mineira...

É o mesmo PT que – para ficarmos no presente, com olhos voltados para o futuro, que é o que interessa – hoje apedreja políticas destinadas a valorizar professores e premiar o mérito na educação, como faz o governo Serra-Goldman em São Paulo.

Esta loba em pele de loba diz-se responsável pelas “brilhantes” obras do PAC. Mas quase nada entregou até agora. Tomemos o exemplo das Minas Gerais visitadas ontem: dos R$ 34,6 bilhões anunciados pelo governo Lula para o estado no período 2007-2010, até hoje o setor público federal investiu apenas R$ 4,3 bilhões, o que representa 12,4% do prometido. Ou seja, precisaria de mais 22 anos para executar tudo o que prometeu. Cruz credo! De fato, “é mais difícil quem nunca fez nada provar que fez”, como a autômata disse ontem, ao ser questionada sobre propostas concretas para seu estado natal.

A ciborgue de gerente gaba-se de ter bem-administrado o país quando estava na Casa Civil de Lula. Mas, para ver se mais este mito para em pé, tomemos como ilustração o que, infelizmente, ocorreu nesta segunda e terça-feiras no Rio, quando 103 pessoas morreram, na maior tragédia desta natureza ocorrida nos últimos 44 anos. Mostra o Estadão que, em 2009, o estado só recebeu 1% da verba federal para prevenção e preparação para desastres: foram R$ 1,6 milhão, que não dão para rigorosamente nada, de um total de R$ 646,6 milhões.

Deve ter sido por isso que Lula apelou a Deus, assim como restará à loba em pele de loba apelar, para ver se desempaca. Mas os dentões lhe denunciam a voragem pelo poder e neles dona Dilma logo, logo irá tropeçar. A cada dia fica mais evidente que o Brasil pode mais, muito mais, do que isso.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mitologias, mentiras e mistificações

Quarta-feira passada, em sua despedida do Palácio do Planalto, dona Dilma manteve seu olhar pregado no passado, como sempre faz. A estratégia, que se repete a cada manifestação pública dela, tem motivos óbvios: é evidente o temor da ex-ministra de se comparar diretamente com José Serra. Ela não tem biografia, não tem um histórico de realizações nem tampouco tem a oferecer a perspectiva de um futuro melhor. Por isso, opta por apostar em mistificações de um presente que está longe de ser real em comparação com um passado forjado pelo PT – em atitude típica de regimes totalitários que tentam reescrever a História.

Se, ao invés de fazer ataques sem fundamento ao PSDB, a candidata resolvesse estudar o próprio país, saberia que, durante o período do governo Lula, o Brasil teve crescimento per capita médio de 2,29% desde 2002 até agora. Foi apenas o 13º maior da América Latina (entre 19 países) e o 9º da América do Sul, entre 10 países. Que grande sucesso é esse?

A petista também se gabou do “excepcional” comportamento do Brasil frente à crise econômica mundial. Provavelmente, ignora – ou, pior, tenta esconder – que o país não foi o primeiro, nem o segundo e sequer o terceiro a se sair melhor da crise. Com o “espetacular crescimento” de -0,2% em 2009, aquele que Lula anuncia desde o início de seu governo, o Brasil teve o 104º melhor desempenho do mundo, de uma lista de 213 países.

Dilma também comemorou o suposto fato de que hoje o povo brasileiro “não aceita mais migalhas e projetos inacabados”. Faltou dizer que, na principal tarefa da qual foi responsável no atual governo, a condução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), até agora a candidata só entregou 11% das ações prometidas.

A escolhida de Lula se orgulhou, com razão, dos inegáveis ganhos de consumo da população no atual governo, em especial nas regiões mais pobres. Mas jogou embaixo do tapete números recém-revisados pelo IBGE mostrando que, na gestão tucana, o PIB per capita nordestino aproximou-se bem mais da média nacional: passou de 42,29% para 46,44%, expansão de 4,15 pontos percentuais em oito anos. Lula só conseguiu uma melhora de 0,22 ponto percentual nos cinco primeiros anos de governo. O propalado avanço dos nordestinos em direção à menor desigualdade na gestão petista é mais um mito que os números oficiais – cruéis números – também implodem.

Dona Dilma pelo menos não mentiu quanto à saída de milhões de brasileiros da pobreza na última década. Mas se esqueceu de dizer que, entre 2002 e 2008, caímos do 72º para o 75º no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a lista elaborada pela ONU que inclui dados sobre renda, mortalidade, esperança de vida e educação. Além disso, como lembrou o ex-governador Aécio Neves, em entrevista à revista Veja, nada seria possível se não fosse a arquitetura econômica herdada do Plano Real.

E, talvez mais revelador de seu pronunciamento, a ministra praticamente não falou dela mesma na despedida. Preferiu louvar o presidente Lula por 28 vezes, chamando-o sempre de “senhor”. Deixou claro, portanto, que prefere ser conduzida a conduzir. Mostrou que, mesmo podendo ser presidente da República, estará mais para cumprir ordens e dizer “sim senhor” a Lula e ao PT, não importa o que venham a pedir.

Muito melhor será eleger alguém com personalidade própria, com idéias próprias e adequadas para fazer do nosso país um lugar melhor para se viver. Alguém com quem o Brasil pode mais: José Serra.