quarta-feira, 14 de abril de 2010

Deu tilt na ciborgue

A candidatura de Dilma Rousseff vem sendo carpida pelo PT há pelo menos dois anos, ou três se considerarmos o nascimento do filho dela, o Programa de Aceleração do Crescimento – infante que apresenta problemas de desenvolvimento motor. Dilma Rousseff foi vendida pela arrogância petista como um verdadeiro Godzilla, aquele dinossauro fortão e bravo da TV. O mundo real, longe das asas do mestre Lula, a está transformando num Godzuck, o sobrinhozinho trapalhão do bicho.

Se este imagem pop não lhe é lá muito particular, ou se o leitor não é fã de histórias em quadrinhos ou desenhos animados daqueles que passavam nos programas infantis matinais, basta assistir este filminho de 38 segundos disponível no Youtube. Depois de vê-lo não vai nem precisar ler o que segue abaixo; as imagens são auto-explicativas, extremamente didáticas, e muito divertidas. Como o pequeno dinossaurinho japonês, Dilma é um verdadeiro desastre. Bastou deixá-la solta no mundo para a ciborgue dar tilt. A vida não está sopa por lá.

Seria enfadonho listar aqui as muitas patacoadas que a candidata do PT conseguiu produzir em menos de 12 dias de campanha. Começou com a mão na cabeça do pastor Garotinho; prosseguiu com a repugnante passagem e a escancarada falsidade de seus atos em Minas; passou pelas trombadas com o clã Gomes no Ceará; e teve na irretocável declaração sobre os exilados “que fugiram da luta” sua cereja do bolo.

Cesar Maia costuma usar uma metáfora meio démodé diante das novas tecnologias digitais, mas muito rica para a compreensão do processo eleitoral: na pré-campanha, grava-se a imagem do candidato no filme fotográfico; na campanha, esta imagem revela-se. Se isso vale – e pode estar certo que vale – o filme de Dilma queimou. A petista vai aos poucos murchando para o tamanho que de fato tem. Um Godzuck – e sem um pingo da graciosidade e simpatia dele.

Os jornais estão coalhados de notícias sobre as dificuldades da candidata. O Estadão as traduz em números: dona Dilma tem problemas para montar palanques em 15 dos 27 estados, onde vive 63% do eleitorado. Em contrapartida, o PSDB de José Serra tem candidatos próprios em 15 estados e “garantia de alianças sem maiores problemas em 24 das unidades da Federação”, completa o jornal.

Rusgas e mais rusgas regionais travam as viagens da candidata, informa a Folha de S.Paulo: “Em quase todos os estados há problemas em sua base que vão de disputas de aliados pela mesma vaga à insatisfação com a possibilidade de a ex-ministra pedir votos para o concorrente local”. “A escolha de viagens e agenda potencializou as dificuldades de uma candidata ‘sem jogo de cintura’ para situações difíceis”, conclui O Globo depois de ouvir seis cientistas políticos sobre os “tropeços” da ciborgue. Cadê a toda poderosa cuja perspectiva de poder seduzia como ouro 18 quilates guardado no pote do fim do arco-íris? Fumaça.

Diante das dificuldades que a dura realidade da vida está a lhes impor, os petistas esbravejam: complô, vilania, má-fé! De quem, caras-pálidas? Basta citar aqui um único texto publicado hoje na imprensa para ver quem está, de fato, agindo agora pautado por má-fé, vilania, complô...

Analisando a memorável frase “eu não fujo quando a situação fica difícil, não tenho medo da luta”, dita por Dilma no sábado, Fernando Rodrigues ocupou-se de ver quem estaria distorcendo as doces, cristalinas e puras palavras da ciborgue. Deu de cara com o exército que infesta a blogosfera, esta praga de gente. Mas, pera lá... “Petistas na internet inundaram blogs e sites de relacionamento interpretando a declaração de Dilma como um ataque velado a José Serra”, descobriu ele. O sociólogo petista Emir Sader foi um deles, informou o Painel da Folha. Bingo.

Dilma disse o que queria dizer. Seu séquito interpretou-a de forma idêntica à que ela agora reputa à “má-fé” e aos “mal-entendidos” de vilões da oposição. Logical conclusion: a candidata petista expressou, de fato, opinião segundo a qual quem se exilou o fez por ser fujão, mesma visão de mundo que tem um tão proeminente quanto caricato servidor das casernas na ditadura militar. Dilma e general Leônidas: tudo a ver.

À reação tão justa quanto indignada dos que lutaram pela reconquista da democracia no país a partir do exílio, sem apelar por explodir cofres, Dilma arreganhou seus dentões pontudos de loba: “Não tentem me atemorizar. Pode vir, pode atacar. Não pensem que, com isso, me atemorizarão, porque não vão”. Quanta humildade! Os amigos do PMDB podiam ressuscitar aquele bambolê para dona Dilma.

Isso é, sem retoques, o que o PT oferece aos brasileiros nestas eleições presidenciais: um tom belicoso (tudo a ver com quem defende a bomba atômica iraniana), a disseminação da cizânia, a divisão permanente do país. E olha que Dilma ainda tem 172 dias pela frente até a eleição de 3 de outubro... Godzilla não assusta mais e o Godzuck não consegue voar.