segunda-feira, 19 de abril de 2010

O bem-sucedido início da revoada tucana

Neste fim de semana, o Datafolha divulgou mais uma pesquisa de intenção de votos para presidente da República. José Serra continua liderando a corrida, com 38%. Ele tem dez pontos percentuais a mais do que a candidata do PT. Tudo considerado, temos que o início da revoada tucana está sendo muito bem-sucedido, embora não faltem “análises” sustentando que as primeiras ações de campanha do ex-governador não lhe renderam nenhum benefício.

Vamos refrescar a memória do leitor. Até meados de março, as apostas mais frequentes entre os “analistas” concentravam-se em quando a candidata do PT ultrapassaria Serra na preferência do eleitorado brasileiro. Era o tal “x”, em que as curvas de um e outro supostamente se cruzariam, em prejuízo do tucano. Isso não apenas não aconteceu até agora, como parece algo cada vez mais distante, embora riscos sempre haja – é do jogo da democracia, que todos respeitamos.

Serra mantém sólida e persistente margem de votos, praticamente inalterada desde o fim de 2009. Para quem só se lançou de fato há dez dias é um feito e tanto. Dona Dilma também teve, sim, uma ascensão considerável, mas precisou de três anos de árdua exposição para tanto. Este é o tempo em que ela esteve à frente do PAC e sua blitzkrieg marqueteira. A martelação diária rendeu à candidata o que já se esperava: os cerca de 30% que representam uma espécie de eleitorado cativo do PT no Brasil de hoje. Fosse Dilma ou Eduardo Suplicy o candidato, o percentual seria o mesmo.

Desde o lançamento do mal executado PAC, em janeiro de 2007, Dilma está em campanha, em flagrante desrespeito à lei. Colada em Lula, fez comícios por todo o Brasil para “inaugurar” editais de licitação, pedras fundamentais e até mesmo portos que ruiriam poucas semanas depois de abertos. Tudo isso com a mal-disfarçada pretensão de levá-la aos tais 30% de votos. Com um detalhe: o petismo previa que isso ocorreria no fim de 2009 e, já em março deste ano, ela ultrapassaria Serra nas pesquisas. Por enquanto, pura ilusão.

Serra não só manteve, como tem ampliado sua vantagem. No fim de fevereiro, de acordo com o mesmo Datafolha, ele tinha 32% das intenções e Dilma, 28%. Estacionada ela, o tucano saltou aos 38% aferidos agora. Quem, então, saiu-se melhor neste início de temporada pré-eleitoral: a sempre-candidata da máquina ou o recém-anunciado nome da oposição?

Na divisão por região, o ex-governador lidera no Norte/Centro-Oeste (39% x 30%), Sudeste (42% x 24%) e Sul (45% x 25%). No Nordeste, Dilma alcança 33% contra 27% do candidato tucano. José Serra também vence em todas as faixas etárias e todos os níveis de escolaridade. Entre as mulheres, a vantagem do tucano é ainda maior: Dilma só tem 22% do voto feminino. Sábias mulheres!

O que pode ter ocorrido para que Serra, nessa altura do campeonato, mantivesse números tão expressivos? Nos últimos meses, enquanto os comícios da dupla Lula e Dilma tornavam-se uma rotina diária e monótona pelo país afora, o candidato tucano praticamente não saía do estado que governava – São Paulo. Para desespero até de alguns aliados, concentrava-se em concluir de forma bem feita a missão que o povo paulista lhe havia atribuído nas eleições de 2006.

Quando, finalmente, se lançou pré-candidato, no último dia 10, Serra pôde deixar o comando do estado com muito a mostrar: as obras do Rodoanel, 110 novas escolas inauguradas, dez novos hospitais incorporados à rede pública estadual, 23 novas faculdades de tecnologia, 100 mil vagas abertas nas escolas técnicas. É isso o que mantém Serra líder nas pesquisas: o que ele fez por São Paulo e poderá fazer pelo Brasil. Tudo isso com finanças saneadas e a capacidade de investimento redobrada, algo raro entre os administradores brasileiros.

Em contrapartida, no comando do PAC, passados três anos Dilma só conseguiu entregar 11% das obras prometidas. Ou seja, se formos julgar o governo Lula apenas por aquilo que foi administrado pela candidata petista, pode-se dizer, com segurança, que foi um fiasco. Os avanços dos últimos anos ocorreram, principalmente, nos quesitos renda, consumo e ascensão social – frutos, em última análise, da estabilidade econômica conquistada pela gestão tucana e consolidada com a manutenção das políticas macroeconômicas.

Atualmente, na área de infraestrutura, a suposta seara de Dilma, estradas estão esburacadas, portos obsoletos, metrôs parados e grandes obras estruturantes, como a Transnordestina e a transposição do rio São Francisco, bastante atrasadas. Os avanços na educação fundamental e na saúde estagnaram. Nem toda propaganda do mundo consegue disfarçar essa realidade; o eleitor não é bobo.

A campanha ainda está apenas começando. Tudo indica que o PT irá utilizar todo tipo de armas para vencer, inclusive as não permitidas pela legislação. É uma guerra suja. Enquanto isso, Serra começou a viajar pelo Brasil levando propostas e esperanças. Foi assim na Bahia, em Alagoas e hoje em Minas. O entusiasmo é visível, diante de uma plataforma que busca construir um futuro melhor para os brasileiros. Do outro lado, nos seus primeiros passos sem Lula, Dilma Rousseff vem alternando ataques violentos à oposição e bizarros tropeços verbais, como já mostrado aqui. Fica cada dia mais claro que o eleitor está convencido de que o Brasil pode e quer mais.