segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Brasil pode e quer mais

Um ser humano que sonha ver um Brasil sem divisões ou diferenças entre seus habitantes, caminhando solidariamente em direção ao progresso social, econômico e cultural. Um político que se orgulha de cada uma de suas ações em quase 50 anos de vida pública, com intuito de servir, e não ser aclamado. Um economista com lucidez e clareza suficientes para apontar os principais entraves ao desenvolvimento do país e como solucioná-los. Um gestor com conquistas concretas a mostrar em todos os postos onde serviu. Um presidente que irá liderar um processo, e não ser conduzido por eminências pardas, interesses corporativos ou ambições partidárias mesquinhas.

Estas são conclusões inevitáveis quando se ouve, lê ou relê o discurso com o qual José Serra se lançou pré-candidato à presidência da República no sábado passado em Brasília. O caminho, ele admitiu, será árduo. O engajamento nessa luta se dará pelo sonho de ver o Brasil podendo muito mais e não pela ambição por cargos, poder ou eventuais “boquinhas” a serem distribuídas em caso de vitória. A meta é criar melhores oportunidades de vida para todos os brasileiros, independentemente de serem ricos ou pobres, nortistas ou sulistas, brancos ou negros, jogadores de basquete ou enxadristas. O Brasil é de todos os brasileiros.

O Brasil que Serra quer é o mesmo do cidadão que não está pautado em ideologia ou modelos de gestão do Estado, mas pretende uma vida melhor para sua família. A energia de Serra está centrada naquelas pessoas que querem melhor saúde pública, garantia de boa educação para os filhos e aspiração de emprego para os jovens em ambiente de segurança e respeito à lei. Pessoas com valores, amantes das virtudes, que não querem o país dividido. O brasileiro comum, como eu e você, caro leitor.

O exemplo de seu pai, dono de uma banca de frutas no Mercado Municipal de São Paulo, mostrou qual é a origem de Serra e seus valores. “Um homem austero, severo, digno. Carregava caixa de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixa de livros”, disse o ex-governador ao relembrar sua infância, vivida numa casa de quarto e sala numa vila operária do bairro paulistano da Mooca. Serra quer um país onde todos tenham oportunidade de desenvolver seu talento e possam ser justamente valorizados pelos seus esforços. É como se dissesse: “Se eu, que tive uma vida de limitações, consegui, por que outros não conseguirão?” Serra quer fazer com que todos possam. E o Brasil, de fato, pode mais.

Serra e o PSDB não têm medo do passado, não têm conflitos mal-resolvidos com a sua história. Num belo e contundente discurso, o governador Aécio Neves sublinhou as diferenças entre o modo tucano de servir ao Brasil e o interesse petista em assaltar o poder. Aécio colocou as coisas no devido lugar ao lembrar que, sistematicamente, o PT sempre se posicionou contra os principais avanços do país nos últimos 25 anos. Ao mesmo tempo, ele destacou que os tucanos, mesmo quando ainda no MDB e no PMDB, sempre se pautaram pelo interesse maior da nação e, generosa e solidariamente, lutaram pelas conquistas que interessavam a todos os brasileiros.

Não custa lembrar sempre que os petistas foram contra a eleição de Tancredo Neves, contra a Constituição de 1988, contra o governo de transição de Itamar Franco, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outros “contra” medidas que melhoraram o Brasil. Aécio deixou claro que o Brasil não foi descoberto em 1º de janeiro de 2003 e que a roda da História gira desde muito antes. “O que me incomoda é ver o PT tentando vender aos brasileiros a ideia de que o Brasil das virtudes e do desenvolvimento foi construído por eles, quando, em vários momentos cruciais, eles preferiram priorizar o projeto partidário nacional”, resume Aécio em entrevista publicada na edição de hoje de O Estado de S.Paulo.

De volta ao presente, em seu discurso José Serra evitou enumerar os números que tem a apresentar. Desnecessariamente modesto, não citou, por exemplo, o espetacular avanço dos investimentos do governo de São Paulo sob seu comando: de R$ 25 bilhões na gestão passada para R$ 64 bilhões no atual quadriênio. Dinheiro voltado a melhorar a vida de quem vive no estado. Não há nada parecido com isso no governo federal, que mal conseguiu concluir 10% das obras que prometeu entregar até 2010 dentro do tão alardeado quanto vazio PAC conduzido por Dilma Rousseff.

Para o futuro, José Serra mostrou estar ciente do que precisa atacar para fazer o país crescer de maneira muito mais acelerada e consistente do que nos dias atuais, e sem descuidar do meio ambiente. Educação de mais qualidade, saúde ao alcance de todos, segurança para poder viver uma vida mais tranquila e digna. Conseguiu sintetizar os pontos de entrave em alguns poucos segundos: “Não podemos ter uma combinação perversa de falta de infraestrutura, inadequações da política macroeconômica, carga tributária sideral, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos”. Concisão e lucidez.

União, serenidade, valorização das virtudes de um povo e do amor à pátria. É isto o que José Serra tem a oferecer à nação. É este futuro venturoso que nos faz crer que o Brasil pode mais. Pode mais do que o sectarismo com que o PT insiste em dividir o país; pode mais do que as falanges do ódio que não aceitam a democracia representativa e querem impor a sua vontade sobre a vontade popular; pode mais do que a violência que não aceita o estado de direito e afronta o Judiciário; pode mais do que aqueles que sequer compreendem como se construiu a História brasileira, mesmo que, em determinado momento, esta construção só fosse possível estando longe do país. Quanto mais mentiras disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles, porque o Brasil pode e quer mais.