quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma loba em pele de loba, uai

Dilma Rousseff iniciou nesta semana uma “viagem sentimental” por suas “raízes”, num roteiro tão cuidadosamente estudado pelo marketing quanto o desenho das coroas de flores que deposita em cada monumento que vê pela frente. Chega a ser constrangedora a artificialidade da candidata ciborgue do PT. Mas nem berrar como cordeiro ele consegue: com sua beligerância de sempre, é a velha loba em pele de loba de priscas eras.

Em seu script calculado, dona Dilma encaixa um slogan de efeito por dia em seu repertório midiático. Frases para preencher espaço em páginas de jornal e ganhar alguns segundos em rádios e TV. É a forma de manter-se em evidência e, principalmente, de encobrir sua parca visão acerca de como construir um futuro melhor para o país. Longe, bem longe, dela, o Brasil pode mais.

Ao ser questionada, Dilma não apresenta uma proposta afirmativa sequer; tudo o que sabe fazer é atacar o passado, que, por mais pleonástico que possa parecer, já passou – menos para ela e seu desesperado PT. Talvez ela não saiba, mas o presidente Fernando Henrique Cardoso já disputou duas eleições contra Lula, e ganhou as duas. Dilma vai disputar a presidência da República é com José Serra e, quem sabe, Aécio Neves junto. Daí os pesadelos diários que fazem tremer a loba dentuça.

Dilma Rousseff move-se como um autômato teleguiado, sem ter um pingo do charme que, nos anos 70, emanava da Mulher Biônica do seriado de TV, encarnada pela bela Lindsay Wagner. Ontem, em Minas, a ciborgue dos Pampas esforçou-se por esconder seus “tchê” e substituí-los por “uai” improvisados aprendidos em massivos treinamentos e aprimorados com “consultores” locais. É de empalidecer. Logo, logo Dilma terá de se socorrer destes mesmos consultores para saber em que país vive: Será a Bolívia? A Venezuela? Cuba, talvez?

Se há algo mais revelador da desfaçatez da ação da loba ciborgue é a foto em que ela, ladeada por vários petistas, deposita flores no túmulo do ex-presidente Tancredo Neves em São João del Rei. O mesmo Tancredo que o seu PT não apenas escorraçou como se recusou a apoiar no colégio eleitoral em 1985. O mesmo Tancredo a cujas homenagens pelos 100 anos, que se completariam em 4 de março passado, nem ela nem qualquer dos ministros de Lula compareceu.

O mesmo Tancredo a quem “CUT e PT declaram guerra”, segundo manchete que o Jornal da Tarde estampou em sua edição de 11 de fevereiro de 1985, como relembra Almir Pazzianotto em artigo no Estadão de hoje. “A História é implacável e registra que o PT e a CUT foram responsáveis por 20 anos de atraso, até que o país recuperasse a estabilidade e o desenvolvimento graças ao Plano Real”, escreve o ex-ministro do Trabalho.

Em seu arremedo de fábula bíblica, dona Dilma melhor do que ninguém encarna a loba que tenta passar-se por cordeiro fofinho. Diz ela que bicho dentuço e de presas afiadas são “aqueles que tentarem fingir que não divergiram do governo, que não têm projeto diferente, que não propuseram o fim de políticas de governo”.

Uai, o que fez o PT senão o que agora acusa a candidata ciborgue? Votou contra o Plano Real, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, recusou-se a referendar a Constituição de 1988, não apoiou Tancredo Neves (e, com isso, ajudou Paulo Maluf). Existisse à época, provavelmente teria combatido a Inconfidência Mineira...

É o mesmo PT que – para ficarmos no presente, com olhos voltados para o futuro, que é o que interessa – hoje apedreja políticas destinadas a valorizar professores e premiar o mérito na educação, como faz o governo Serra-Goldman em São Paulo.

Esta loba em pele de loba diz-se responsável pelas “brilhantes” obras do PAC. Mas quase nada entregou até agora. Tomemos o exemplo das Minas Gerais visitadas ontem: dos R$ 34,6 bilhões anunciados pelo governo Lula para o estado no período 2007-2010, até hoje o setor público federal investiu apenas R$ 4,3 bilhões, o que representa 12,4% do prometido. Ou seja, precisaria de mais 22 anos para executar tudo o que prometeu. Cruz credo! De fato, “é mais difícil quem nunca fez nada provar que fez”, como a autômata disse ontem, ao ser questionada sobre propostas concretas para seu estado natal.

A ciborgue de gerente gaba-se de ter bem-administrado o país quando estava na Casa Civil de Lula. Mas, para ver se mais este mito para em pé, tomemos como ilustração o que, infelizmente, ocorreu nesta segunda e terça-feiras no Rio, quando 103 pessoas morreram, na maior tragédia desta natureza ocorrida nos últimos 44 anos. Mostra o Estadão que, em 2009, o estado só recebeu 1% da verba federal para prevenção e preparação para desastres: foram R$ 1,6 milhão, que não dão para rigorosamente nada, de um total de R$ 646,6 milhões.

Deve ter sido por isso que Lula apelou a Deus, assim como restará à loba em pele de loba apelar, para ver se desempaca. Mas os dentões lhe denunciam a voragem pelo poder e neles dona Dilma logo, logo irá tropeçar. A cada dia fica mais evidente que o Brasil pode mais, muito mais, do que isso.